O Crack, a droga mais barata e que está entre as de efeitos mais devastadores, deixou de ser um problema das grandes cidades e seu consumo tem se espalhado por diversas cidades do país. Infelizmente, as cidades do interior do Rio Grande do Norte não ficam de fora da alarmante estatística.
Assunto corrente nos veículos de comunicação do estado que compartilham o levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) no Observatório do Crack, mostram que a droga já chegou a pelo menos 87% dos municípios potiguares.
Santo Antônio foi um dos municípios pesquisados e, de acordo com o levantamento, apresenta nível médio do consumo de crack, além de não possuir qualquer rede de assistência, revelando que o poder público municipal não está organizado para enfrentar este problema.
Como se não bastasse o aumento da violência nas cidades do interior, acabando com nossa tranquilidade, a população tem mais um motivo para perder o sossego. A crescente demanda pelo crack em Santo Antônio é vista a olhos nus não só na cidade, o consumo tem se proliferado também pela zona rural. Entre as drogas ilícitas, indiscriminadamente, o consumo de crack virou uma nefasta “tendência” em nosso Município.
A fumaça produzida pela queima da pedra do crack “atinge rapidamente o pulmão, entra na corrente sanguínea e chega ao cérebro em oito a doze segundos e provoca intensa euforia e autoconfiança. Essa sensação persiste por cinco a dez minutos.”¹ O organismo do dependente passa a funcionar em função da droga, destruindo o corpo do usuário com uma infinidade de complicações de saúde.
Não obstante, “ao contrário do que se poderia imaginar, não são as complicações de saúde pelo uso crônico da droga, mas sim os homicídios que constituem a primeira causa de morte entre os usuários, resultantes de brigas em geral, ações policiais e punições de traficantes pelo não-pagamento de dívidas contraídas nesse comércio ilegal.”¹
O uso do crack passa a ser um problema de segurança, uma vez que os traficantes e usuários, para manter o vício e o comércio ilegal da droga, são capazes de roubar e matar. Esse problema tem contribuído negativamente com o aumento exponencial da violência nos estados nordestinos.
O Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, mostra que em dez anos o Município de Santo Antônio deixou de fazer parte dos 60% dos Municípios potiguares sem registro de homicídios, para figurar entre os Municípios que estão acima da média nacional em taxa de homicídios. Um crescimento preocupante.
Não é apenas um problema de segurança, mas, principalmente, de saúde pública e exclusão social.

Campanha - Eleições estaduais 2010
No nosso Estado, o combate ao Crack foi mote de campanha para as eleições estaduais de 2010, sobretudo pelo Deputado Federal Fábio Faria e pela Governadora Rosalba Ciarlini. Entretanto, até agora, não foram apresentadas políticas substanciais para enfrentar os problemas relacionados ao consumo dessa droga.
Inclusive, em observância a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2010 e 2011, não existem programas relacionados às drogas e ou ao enfrentamento do crack na execução orçamentária do Rio Grande do Norte, um Estado em que 90% dos adolescentes envolvidos em crimes tem ligação com o tráfico e, em 2010, já estimava o crescimento do consumo da droga em média 30% ao ano.
A disseminação de informações e orientações sobre o crack e outras drogas não é suficiente para afastar as pessoas do consumo de substâncias que alterem os sentidos, as quais são utilizadas – a exemplo do álcool, uma droga socialmente aceita – para proporcionar a sensação de bem-estar e auto-afirmação social, como escape para mitigar as dores, a desestruturação sócio-familiar, a falta de perspectivas e o vazio existencial.
A “falta do que fazer” em período ocioso, tão comum em cidades do interior que não oferecem opções de entretenimento aos seus moradores, acaba por incitar ao uso “recreativo” de drogas por jovens e adolescentes, que rapidamente se tornam dependentes, o que poderia ser evitado com ações simples que possibilitem a realização de atividades de esporte, lazer e cultura.
O dependente de crack, ou de qualquer outra droga, seja lícita ou ilícita, é, sobretudo, um cidadão dotado de direitos, entretanto, não poderá buscar um tratamento se não existe acesso a uma adequada oferta de assistência médica e apoio psicossocial, meios que poderão garantir a reinserção sócio-familiar dos dependentes.
Em 07 dezembro de 2011, a presidenta da República, Dilma Rousseff, os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, lançaram a Política Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, no qual pretende investir R$ 4 bilhões até 2014.
Com o lema “Crack, é possível vencer”, o conjunto de ações pretende desenvolver, junto com os estados e municípios, diversas ações de políticas públicas integradas. Para tanto, será imprescindível a atuação dos centros de referência de assistência social nos municípios, e estes deverão estar bem estruturados para oferecer apoio às ações desenvolvidas, com o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde aos usuários de drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar as ações de prevenção.
¹ Retirado da “Pesquisa sobre a situação do crack nos Municípios brasileiros” da CNM.





